Retratos de Mulheres

Fotos de Luara De

 

Quando falamos em nós mulheres, há necessariamente uma diversidade de existências. E jamais podemos neutralizá-las. Afinal, a luta feminista é necessariamente anticapitalista e se relaciona com todas as outras opressões. Mas ainda assim, entre as mulheres do povo, nos diferentes territórios da América Latina, existe algo em comum na existência delas: resistir é condição fundamental para a sua existência.

Para que jamais esqueçamos de onde vem nossa força, de todos os dias que precisamos resistir, de todas nós mulheres que resistimos todos os dias. Dos dias que precisamos reafirmar o óbvio: parem de nós matar! Nossas vidas importam. Dos dias que precisamos reafirmar o óbvio: seguiremos despertas, fortes y felizes! Seguiremos tecendo sonhos, gritando alto, rompendo silêncios, plantando esperanças, parindo outro mundo.

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Mulheres do Recôncavo
Recôncavo baiano lugar onde o Candomblé resiste bravamente e as mulheres são figuras centrais nesse processo de resistência. Na preservação dos saberes, na tradição da religiosidade, na liderança política, na construção e fortalecimento da comunidade, as mulheres negras são pilares dessa força que resiste..

In. Festa de Yemanjá. Cachoeira, fevereiro de 2018.

Mães de Maio
Movimento de mulheres formadas após o maio de 2006, onde a Polícia Militar de São Paulo matou mais de 600 pessoas, a maioria jovens negros. Mães desses jovens, vítimas de violência do Estado. Resistem à injustiça e à dor de terem seus filhos assassinados. Lutam pela memória e pela justiça.

In. Cordão da Mentira. São Paulo, maio de 2016.

Guerrilheiras do Araguaia
Na foto, a atriz Mafalda Pequenino, interpretando uma das muitas guerrilheiras, que no final dos anos 1960 e início dos 1970 foram para o Araguaia, acreditando no sonho de um mundo novo. Foram lutar contra a Ditadura Militar e construir junto aos/às camponeses/as a resistência aos militares. A maioria foi assassinada e permanecem sendo desaparecidas políticas, a maioria dos corpos nunca foram encontrados.

In. Peça Guerrilheiras. Guararema, fevereiro de 2017.

Sem Terra
Mulheres camponesas que resistem. Que sabem que a luta pela terra é só o início de uma luta bem maior. Mulheres contra o capital, que acreditam que sem feminismo não há socialismo.

In. Usina da Vale. Cubatão, março de 2017.

Alafin Oyó
Alafin era o título dado ao antigo imperador de Oyó, território que hoje situa-se o Benin, próximo à Nigéria. No candomblé, esse seria um título atribuído ao orixá Xangô, que representa a justiça. Alafin Oyó, Bloco Afro de Afoxé de Olinda, com mais de 30 anos de resistência. Onde muitas mulheres reafirmam sua negritude e seguem relembrando sua história, cantando justiça.

In. Carnaval. Olinda, março de 2017.

Mulheres Venezuelanas
Dos processos mais contraditórios desse último período e um dos mais bonitos também. Para entender somente conhecendo. Povo, tomando para si as rédeas do poder. As mulheres, a frente desse processo. As mulheres nas ruas, nos bairros fazendo política, todo mundo discutindo política. Com muitas contradições, mas sobretudo, fazendo. Democracia e revolução, substantivos femininos. Necessariamente, feministas.

In. Manifestação. Caracas, outubro de 2016.

Mulheres Mexicanas
Passado e presente caminhando juntos.

In. Oaxaca, novembro de 2015.

Mulheres das Ilhas Uros e Taquiles
Mulheres que vivem em ilhas flutuantes.

In. Lago Titicaca, maio de 2013.

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Luara D

Luara D milita, sonha e mexe com imagens.

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