Oficina: direito à cidade

Sobre a oficina: foi desenvolvida para uma atividade de formação com integrantes da Ocupação Cultual Mercado Sul VIVE e estudantes de arquitetura e, posteriormente com o Coletivo da Cidade.

Tempo de duração: entre 1h a 2hrs, a depender da quantidade de participantes.

Materiais necessários: canetas, tarjetas e papel com a frase inspiradora (ou a frase pode ser escrita em um quadro, caso houver). A frase inspiradora pode ser colocada no centro do círculo e as tarjetas dispostas em círculo no chão para que todas possam ver – nelas terá escrito o nome dos atores que compõem a cidade.  Neste arquivo você pode baixar o documento com a frase e com as tarjetas dos atores sugeridos:  material – o direito a cidade

Parte 1: Frase inspiradora. 

“A Igreja diz: o corpo é uma culpa. A Ciência diz: o corpo é uma máquina. A publicidade diz: o corpo é um negócio. E o corpo diz: eu sou uma festa.” (Eduardo Galeano)

Solicita-se que as participantes expressem o que essa frase significa para elas, como podemos interpretá-la? Depois de compartilharem as impressões, a mediadora pode fazer uma síntese. O importante é entender que o nosso corpo é um lugar de construções sociais e de disputas de sentidos, cada ator da sociedade vai colocar no corpo algum significado, vai querer determiná-lo, mas o próprio corpo também vai afirmar seu significado e sua existência.

O mesmo acontece com a cidade: a cidade existe como um organismo vivo, assim como o corpo? Quais sentidos são dados à cidade? Quem diz como ela deve funcionar? É importante a gente conseguir identificar quais são esses sentidos que tem sido dado para a cidade que possamos então construir a cidade do jeito que queremos.

Parte 2: As tarjetas
A mediadora apresenta as tarjetas no chão, explicando que foram selecionados alguns atores que existem na cidade e que constroem seu sentido.  Pedimos para que as pessoas escolham um ator, imaginem o que esse ator diz sobre a cidade e completem na própria tarjeta. As pessoas podem brincar com a frase, escrever coisas mais poéticas ou críticas, como se sentirem à vontade.

Exemplos:

O motorista diz: a cidade é engarrafada

O empreiteiro diz: a cidade é um canteiro de obras

Chico Science diz:  a cidade não para a cidade só cresce

O policial diz: a cidade deve ser vigiada

Depois de escrito, as participantes apresentam e podem explicar o que escreveram e o debate flui. É importante ir notando os diferentes interesses de cada ator.

Parte 3: Apresentação de alguns estudos sobre o direito à cidade.
Sugirimos as primeiras páginas do livro de Lefebvre,  “O direito à cidade”, onde ele comenta  como a cidade que conhecemos hoje é construída em torno de um centro de poder político e econômico. A cidade é construída para ele, ao redor dele, tudo gira em torno de manter ou aumentar o lucro e o poder de controle da cidade. Na cidade capitalista, mesmo as festas que geralmente acontecem no centro, geram em torno do lucro. Ao contrário, os espaços para as pessoas, para a vida social são cada vez mais reduzidos. O espaço do morar é jogado cada vez para mais longe e ai as pessoas precisam se locomover em longas distâncias para chegar ao trabalho e outros serviços, que ficam principalmente nos centros. Esse processo vai gerando uma exclusão maior conforme a posição econômica, o gênero e a origem étnico-racial de cada um/uma. O transporte coletivo vai desempenhar a importante função de levar e buscar as trabalhadoras, para que frequentem o centro apenas como mão-de-obra.

Parte 4: Que cidade queremos?
Para finalizar sugerimos um debate sobre “que cidade queremos?” Como transformar a cidade para que ela seja melhor para nós vivermos?
Aqui é importante estimular a imaginação das pessoas para ousarem a imaginar um mundo que muitas vezes pensamos impossíveis. Também é interessante trazer memórias de infância, a vivência na rua e também o que se sabe da vivência em cidades pequenas em contraponto a experiência nas cidades grandes. Podemos comparar a lógica dos bairros “tipo condomínio” – com as vidas familiares individualizadas, onde tudo é controlado por um câmeras e vigias, marcado pela impessoalidade e burocracias, mas também por um certo sossego – com a lógica de um bairro mais comunitário, onde geralmente há maior solidariedade, as pessoas se conhecem, se encontram e se unem para resolver os problemas ou festejar, mas também pode haver mais conflitos, fofocas, etc.

Finalização: 
Por fim, solicitamos que cada participante fale uma palavra ou frase que representa aquilo que mais marcou da oficina.

 

REFERÊNCIAS:

LEFEBVRE, Henri. O direito à cidade. São Paulo: Editora Centauro, 2001.
HARVEY, David. O direito à cidade. Revista Piauí, 2013.

 

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é militante, educadora, feminista e capturadora de histórias rebeldes

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